
Conversando com ela e mais tarde com outras pessoas percebi o quanto esse assunto assola no pensamento delas: o pensamento do pecado.

Não vou falar, hoje, especificamente de Candomblé, de um assunto de Candomblé, mas de ideias que habitam as cabecinhas dos nossos adeptos por motivos de educação cultural e que quase nunca paramos pra pensar nelas.
Vamos falar um pouco sobre pecado. O pecado esteve, religiosamente, presente já nos primeiros habitantes da terra, Adão e Eva, segundo a história dos cristãos relatada na bíblia, e a ideia de pecado vem de ordem, uma ordem que deve ser seguida e não deveria ser quebrada.
A partir daí surgiram os mandamentos que se desrespeitados, são transformados em pecados e se estes forem cometidos, virá a punição. É praticamente um ciclo.
Então, chega em terras brasileiras um povo, provindo de várias aldeias, várias etnias e nos traz um modo diferente de ver a vida, de vivê-la, de sentí-la… Representantes de sociedades de parâmetros excêntricos, peculiares e estranhos aos olhos da cultura, da visão ocidental estão presentes na nossa terra e refletirão para sempre suas marcar nos nossos rostos, nos nossos sorrisos, na nossa ginga e na nossa maneira de olhar.
Diante disso, temos a nossa religião, herança da mãe África, que dá-nos a oportunidade de viver estes novos conceitos, novos valores e estas novas visões a serem enxergadas e posteriormente aplicadas às nossas vidas, se assim quisermos, mostrando que a palavra “Liberdade” é ordem. No seu sentido literal e metafórico: Candomblé é liberdade.

Temos que nos moldar em estereótipos para participar, e nestes estereótipos estão incluídas maneiras de como se vestir, até maneiras de como pensar. O mundo não está mais preocupado com a essência, e sim com a massificação, infelizmente.
E é justamente essa essência que a nossa religião se importa, é com a essência que nos faz diferentes de qualquer outro ser, é essa essência que define nossos desejos, nossas vontades, nossa maneira de rir… Nossa maneira de amar… É ela que define toda a visão que temos sobre a vida e paralelamente não define o certo e o errado, o jeito bonito e o jeito feio, o que gera a culpa e o que não gera. Ela nos faz sermos nós mesmos, transparecermos no olhar quem somos, o que sonhamos e o que queremos de todo nosso âmago. E isso é tão bom, meus irmãos. Chegar num estado de felicidade sem culpa, de se mostrar sem culpa é transcendental, tão transcendental quanto difícil.

Nós somos livres, fomos criados para isso e é assim que o orixá nos reconhece. Não somos falhos, imperfeitos… Apenas somos humanos, uma mistura de vícios e virtudes que anda pelas ruas, trabalha, estuda, ama, deseja, busca, ri, chora, vive… Às vezes por sonhos possíveis, às vezes por sonhos impossíveis para aquele momento presente…Assim fomos criados, assim habita a essência que Olodumare plantou em cada um no momento da nossa vinda ao Aiyê. E acertar e errar são possibilidades esperadas de nós.

Pois liberdade é vivermos em prol de nossos pensamentos, de nossos sentimentos, de nossas determinações.
Minha liberdade determina sempre minha felicidade, meu sorriso. E a sua?
“Tudo vale a pena se a alma não é pequena”."


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